Negociar o transporte da colheita costuma receber menos atenção do que a venda do próprio grão, mas um frete mal negociado pode consumir boa parte da margem conquistada com tanto esforço durante a safra inteira, do plantio até a colheita final. Conforme observa o empresário Wander Aguilera Almeida, alguns erros se repetem com tanta frequência que já são possíveis de prever antes mesmo de acontecerem, safra após safra, na mesma região produtora.
Reconhecer esses padrões ajuda o produtor a evitar prejuízos silenciosos, daqueles que só aparecem quando o custo total da operação já foi somado ao final da temporada inteira, sem qualquer chance de correção naquele momento tardio do processo.
Fechar com a primeira transportadora que aparece
Aceitar a primeira cotação recebida, sem comparar com outras opções disponíveis na região, é um dos erros mais recorrentes entre quem está com pressa para escoar a produção o quanto antes. Segundo aponta Wander Aguilera Almeida, essa pressa costuma custar caro, porque a diferença entre a primeira proposta e a melhor disponível no mercado pode ser bem maior do que o produtor imagina antes de pesquisar com calma.
Consultar pelo menos duas ou três transportadoras diferentes, mesmo levando um pouco mais de tempo nessa etapa, costuma revelar uma faixa de preço bem mais ampla do que aparenta à primeira vista. Essa comparação também ajuda o produtor a identificar cotações fora da realidade, tanto para cima quanto para baixo, antes de assinar qualquer contrato de transporte com pressa demais e sem a devida análise.
Deixar a negociação para o auge da colheita
Esperar até o momento de maior movimento da safra para procurar caminhão é um erro que se repete ano após ano, mesmo entre produtores já bastante experientes na região. Wander Aguilera Almeida apresenta que, nesse período específico, a demanda por transporte dispara ao mesmo tempo em toda a área produtora, e a oferta de caminhões disponíveis simplesmente não acompanha esse ritmo acelerado de crescimento.

O resultado costuma ser previsível: preços mais altos, menos opções de transportadora disponíveis para escolher com calma e maior risco de o caminhão simplesmente não aparecer no dia combinado com o produtor. Negociar o frete com antecedência, ainda durante o plantio ou o início do desenvolvimento da lavoura, evita competir por caminhão justamente no pior momento possível da temporada inteira, quando todo mundo precisa da mesma coisa ao mesmo tempo.
Ignorar o frete de retorno na hora de fechar o preço
Muitos produtores negociam o transporte olhando apenas para a viagem de ida, sem considerar o que acontece com o caminhão depois de entregar a carga no destino final combinado. Na leitura de Wander Aguilera Almeida, transportadoras que já têm carga garantida para a viagem de volta costumam oferecer preços mais competitivos, porque diluem o custo total do trajeto entre as duas pontas da rota percorrida.
Perguntar diretamente se a transportadora tem retorno programado e negociar considerando essa informação desde o início da conversa costuma abrir espaço para descontos que o produtor nem imaginava existir antes de perguntar sobre esse detalhe específico da operação. Deixar de investigar esse ponto é abrir mão de dinheiro sem sequer perceber a oportunidade perdida ao longo do caminho.
O que esses erros têm em comum?
Olhando os três padrões lado a lado, fica claro que eles nascem menos de falta de informação disponível no mercado e mais da pressa em resolver a logística rapidamente, sem dedicar o mesmo cuidado que se dedica à venda do grão em si, muitas vezes bem mais valorizada na hora do planejamento da propriedade como um todo.
Tratar o frete como parte central da negociação, e não como um detalhe posterior resolvido às pressas, é o que separa quem preserva a margem conquistada na lavoura de quem vê parte dela desaparecer silenciosamente na estrada, sem nem perceber onde exatamente o dinheiro foi perdido ao longo do trajeto.

