A deeptech brasileira Doroth captou R$ 23 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Loccus, empresa brasileira de biotecnologia, instrumentação e diagnóstico molecular. Divulgada em 1º de setembro de 2026, a operação combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp para apoiar a expansão das atividades de pesquisa, desenvolvimento e produção da startup.
Parte relevante do aporte será destinada à implantação de uma indústria de chips microfluídicos. De acordo com as informações publicadas pelo Startups, a unidade poderá ser a primeira fábrica desse tipo na América Latina. A estrutura ainda está em fase de implantação e, portanto, não deve ser tratada como uma fábrica já concluída.
O que são os chips microfluídicos
A Doroth desenvolve plataformas do tipo lab-on-a-chip, tecnologia que integra etapas de análises laboratoriais em dispositivos compactos e automatizados. Em vez de depender de estruturas laboratoriais maiores para cada fase do processo, esses sistemas concentram funções relacionadas ao processamento de amostras, ao uso de sensores e à leitura de resultados em uma mesma plataforma.
As aplicações previstas abrangem diagnóstico molecular, saúde humana, saúde animal e agronegócio. A combinação de microfluídica, sensores, automação, eletrônica, óptica e biologia molecular coloca a empresa no segmento de deeptechs, formado por negócios que transformam conhecimento científico e engenharia avançada em produtos e processos com potencial de uso comercial.
Na prática, a produção local de chips pode contribuir para ampliar a capacidade brasileira de desenvolver soluções próprias para diagnósticos. O avanço também tem relevância industrial, já que equipamentos, sensores, componentes e reagentes utilizados em aplicações laboratoriais ainda dependem, em diferentes níveis, de cadeias internacionais de fornecimento.
Parceria aproxima startup e indústria
A liderança da rodada pela Loccus cria uma conexão entre uma empresa de base tecnológica e um negócio já estabelecido nos setores de biotecnologia, instrumentação e diagnóstico molecular. Segundo o Business Moment, o objetivo do investimento é apoiar a expansão produtiva da Doroth e viabilizar a estrutura necessária para a fabricação dos chips.
A parceria também pode combinar competências complementares. A Loccus pretende aproveitar o conhecimento acumulado pela Doroth em microfluídica, sensores e automação, enquanto a deeptech poderá acessar estrutura produtiva, canais de distribuição e experiência comercial. Esse tipo de aproximação é relevante para startups científicas, que frequentemente precisam superar a distância entre a validação de uma tecnologia e sua chegada ao mercado.
O movimento ainda reforça a chamada inovação aberta, modelo no qual empresas estabelecidas buscam soluções externas para acelerar o desenvolvimento de produtos e ampliar sua capacidade tecnológica. Para a startup, a associação com uma companhia do setor de diagnóstico pode facilitar etapas de industrialização e comercialização que exigiriam mais tempo e recursos em uma trajetória independente.
Capital privado e apoio público
Além do investimento liderado pela Loccus, a operação conta com recursos de fomento da Finep e da Fapesp. A participação dessas instituições evidencia o papel do financiamento público no desenvolvimento de tecnologias de maior risco e prazo de maturação, especialmente em áreas que dependem de pesquisa aplicada, infraestrutura especializada e testes antes da escala comercial.
O aporte ocorre em um contexto de iniciativas voltadas ao fortalecimento da inovação industrial e tecnológica no Brasil. Em setembro de 2026, a Finep informou receber propostas relacionadas à inovação em semicondutores. A Fapesp, por meio de programas como o PIPE, também mantém iniciativas de apoio a pequenas empresas inovadoras e à transformação de pesquisa em produtos.
Embora chips microfluídicos não sejam sinônimo de semicondutores tradicionais, os dois campos compartilham desafios industriais relacionados à precisão, à fabricação de componentes e à necessidade de infraestrutura tecnológica. O caso da Doroth se insere, assim, em uma agenda mais ampla de aproximação entre ciência, empresas e produção nacional.
Próximos passos para a Doroth
Com os R$ 23 milhões, a empresa deverá concentrar esforços na ampliação de pesquisa, desenvolvimento e produção, além da implantação da futura unidade industrial. O cronograma de conclusão da fábrica, sua localização e a capacidade produtiva não foram detalhados nas informações disponíveis nas fontes consultadas.
O principal desafio será transformar a tecnologia desenvolvida em uma operação capaz de atender diferentes aplicações com escala, padronização e confiabilidade. A evolução da parceria com a Loccus será determinante para conectar a capacidade científica da Doroth às demandas de laboratórios, empresas de diagnóstico, produtores rurais e outros segmentos interessados em análises mais compactas e automatizadas.
As informações sobre a rodada foram divulgadas inicialmente pelo Startups em 1º de setembro de 2026. Detalhes adicionais sobre a futura fábrica foram publicados pelo Business Moment, em 2 de setembro, e pela publicação O Diário de Maringá, em 11 de setembro de 2026.

