Muitos donos de clássicos só percebem o estrago ao tirar o carro da garagem depois de meses parado. Diego Borges comenta que bateria descarregada, pneus deformados, freios presos e combustível degradado costumam resultar de erros simples de conservação, e não da passagem do tempo em si. Evitar esses erros custa pouco perto do valor de uma restauração.
Fechar o carro em lona plástica
Cobrir o carro com lona plástica comum parece proteção, mas costuma ter o efeito contrário. O material retém a umidade entre a capa e a pintura, favorecendo manchas, bolhas e corrosão, sobretudo em garagens sujeitas a variações de temperatura. Capas de tecido respirável, que bloqueiam a poeira mas permitem a troca de ar, são a escolha mais adequada. Lonas soltas ainda podem riscar a pintura quando o vento as movimenta sobre a lataria.
A própria garagem merece atenção. Piso de terra, infiltrações e ventilação ruim elevam a umidade do ambiente e aceleram a oxidação de partes metálicas e conectores elétricos. Desumidificadores e aberturas de ventilação ajudam, assim como evitar guardar no mesmo espaço produtos químicos, adubos ou materiais que liberem vapores corrosivos.
Esquecer a bateria e os pneus
A bateria se descarrega sozinha com o tempo, e alguns sistemas elétricos continuam consumindo energia mesmo com o carro desligado. Uma bateria que fica totalmente descarregada por semanas pode perder capacidade de forma permanente. Desconectar o polo negativo ou usar um carregador de manutenção, que mantém a carga sem sobrecarregar, evita o problema. Partir o motor com a bateria fraca também sobrecarrega dínamos e alternadores antigos.

Os pneus sofrem com o peso concentrado sempre no mesmo ponto. Depois de meses, surgem deformações que provocam vibração ao rodar, além do ressecamento da borracha. De acordo com Diego Borges, calibrar um pouco acima do habitual, movimentar o carro de tempos em tempos e, em períodos longos, apoiá-lo em cavaletes reduzem o desgaste.
Deixar combustível e fluidos envelhecerem
A gasolina vendida no Brasil contém etanol, que absorve umidade do ar com facilidade. Parada por meses, a mistura se degrada, forma depósitos e pode corroer componentes do sistema de alimentação, especialmente em carros com carburador e linhas de combustível antigas. Aditivos estabilizadores e o uso regular do combustível ajudam a evitar o problema.
Óleo do motor e fluido de freio também envelhecem, mesmo sem uso. O óleo perde propriedades e acumula umidade, e o fluido de freio absorve água, o que reduz sua eficiência e favorece a corrosão nos cilindros. Conforme aponta Diego Borges, em carros de pouco uso a troca deve seguir o calendário, e não a quilometragem.
Ligar o motor só por alguns minutos
Um hábito comum é ligar o carro na garagem, deixá-lo em marcha lenta por poucos minutos e desligar. O motor não chega à temperatura ideal, e a umidade formada na combustão se condensa no óleo e no escapamento, acelerando a corrosão interna. O efeito pode ser pior do que deixar o carro parado.
O ideal é rodar o suficiente para o motor aquecer por completo, o que também movimenta câmbio, suspensão e freios. Deixar o freio de mão desacionado, com calços nas rodas, evita que as sapatas grudem nos tambores. Como explica Diego Borges, uma rotina simples de uso e revisão preserva tanto a mecânica quanto o valor de mercado do clássico.
Outro erro é guardar o carro por um período longo sem nenhuma preparação. Antes de uma parada prolongada, vale trocar o óleo, tratar o combustível, proteger entradas de ar e escapamento contra roedores e insetos e anotar a data de cada cuidado. Os registros ajudam a saber o que revisar quando o carro voltar a rodar.

